Em 28 de fevereiro de 2026, um sábado, Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva aérea conjunta contra o Irã e mataram, no primeiro dia, o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, que comandava o país havia mais de três décadas 1,2. O ataque ocorreu dois dias depois de uma rodada de negociações nucleares em Genebra e foi apresentado por Donald Trump como parte de uma campanha cujo objetivo declarado incluía a queda do regime 1. É o acontecimento internacional mais grave do mês e um dos mais graves do ano: abriu uma guerra regional que, sete meses depois, ainda não tem acordo definitivo.

O ataque e a morte de Khamenei

A ofensiva, chamada de Epic Fury pelo Pentágono e de Roaring Lion por Israel, começou depois do nascer do sol no Irã 1. Trump anunciou a morte de Khamenei em rede social, afirmando que o líder não conseguira escapar dos sistemas de rastreamento americanos e que os bombardeios continuariam pelo tempo necessário 1,2. A mídia estatal iraniana confirmou a morte, e o governo decretou 40 dias de luto 1. Segundo fonte ouvida pela NPR, o golpe que matou o líder foi desferido por Israel; Trump não confirmou essa autoria 1.

O Exército israelense informou ter feito a maior operação aérea de sua história, com cerca de 200 caças contra aproximadamente 500 alvos, incluindo defesas aéreas e lançadores de mísseis, e disse que três reuniões de altos dirigentes foram atingidas ao mesmo tempo 1. Israel afirmou que entre os mortos estavam o ministro da Defesa, o comandante da Guarda Revolucionária e o secretário do Conselho de Segurança Nacional; o Irã não confirmou essas mortes de imediato 1. O Crescente Vermelho iraniano informou mais de 200 mortos no primeiro dia, e a mídia estatal relatou um ataque a uma escola primária feminina no sul do país 1. O Comando Central americano disse levar a sério os relatos de vítimas civis 1.

O Irã respondeu com mísseis e drones contra Israel e contra países do Golfo que abrigam bases americanas, entre eles Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein e Kuwait; a Jordânia relatou ter abatido 49 drones e mísseis 1,2. Em sessão de emergência do Conselho de Segurança no mesmo dia, o secretário-geral António Guterres condenou tanto os ataques americano-israelenses quanto a retaliação iraniana e falou em grave ameaça à paz e à segurança internacionais 1,2. A ofensiva foi lançada sem autorização do Congresso americano 1.

Contexto

O ataque foi o segundo do governo Trump contra o Irã em oito meses, depois dos bombardeios a instalações nucleares em junho de 2025 2. Trump sustentou que Teerã reconstruía seu programa nuclear, mas a Agência Internacional de Energia Atômica e outros especialistas afirmavam não haver evidência de retomada do enriquecimento de urânio 1. A ofensiva veio depois do maior deslocamento militar americano para a região desde a invasão do Iraque, em 2003, e de semanas de negociação 1,3. Em janeiro, as forças de segurança iranianas haviam reprimido protestos de massa; a organização HRANA, sediada nos EUA, estimou mais de 7 mil mortos 1.

Análise

O resultado militar imediato foi o que Washington e Israel buscavam: a eliminação, em poucas horas, do vértice do sistema político iraniano e de parte de seu comando de segurança. Mas a operação confunde dois objetivos com custos muito diferentes. Destruir capacidade militar é uma meta mensurável; derrubar um regime pelo ar é outra, e a própria cobertura da época registrava a avaliação de analistas militares de que isso seria extremamente difícil sem tropas em terra 1.

A justificativa nuclear também é frágil diante da evidência disponível naquele momento. Se a AIEA não identificava retomada do enriquecimento 1, o argumento de ameaça iminente dependia de informações não divulgadas. Atacar dois dias depois de uma rodada de negociações reduz ainda o valor de qualquer compromisso diplomático futuro com Washington, para Teerã e para terceiros. Do ponto de vista institucional, a ausência de autorização do Congresso repete o padrão do ataque à Venezuela em janeiro: decisões de guerra concentradas no Executivo.

O desdobramento confirma os riscos. O Irã escolheu um novo líder, Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá morto, em 8 de março 4. Uma trégua de duas semanas foi alcançada em abril e, em junho, um acordo intermediário mediado pelo Paquistão reabriu o Estreito de Ormuz e estabeleceu cessar-fogo de 60 dias 3. Em setembro, o Council on Foreign Relations classificava o conflito como em agravamento, com disputas sobre o programa nuclear, Ormuz e sanções ainda sem solução 3. A qualidade da evidência sobre vítimas é limitada: os números do primeiro dia vêm de fontes iranianas e não foram verificados de forma independente.

Conclusão

O 28 de fevereiro produziu um fato consumado, a morte do líder supremo, mas não o objetivo político declarado. O regime sobreviveu, escolheu um sucessor da mesma família e manteve capacidade de retaliar e de pressionar o comércio mundial por Ormuz. Pelos critérios que os próprios atacantes enunciaram, paz regional e fim da ameaça nuclear, o saldo verificável até outubro é negativo ou, no mínimo, indefinido.

O que acompanhar

O próximo marco verificável é a conversão do acordo intermediário mediado pelo Paquistão em um entendimento duradouro que inclua o programa nuclear e o regime de navegação em Ormuz, pontos que permaneciam em aberto em setembro 3.