Em 18 de setembro de 2026, na sede da B3, em São Paulo, a empresa DMDL Ltda. ofereceu R$ 31,5 milhões pela concessão do CentroSul, o centro de convenções municipal de Florianópolis, por 35 anos. O lance superou em 90,9% a outorga mínima de R$ 16,5 milhões. Em 28 de setembro, a Prefeitura concluiu a análise dos documentos da empresa e publicou o resultado no Diário Oficial do Município. É a primeira concessão desse porte que o município leva à bolsa e define quem administrará, a partir de 2027, o principal equipamento público de eventos da capital 5,7,1.
O leilão e o estágio do processo
O edital, a Concorrência Presencial nº 90287/SMLCP/SULIC/2026, foi publicado em 28 de julho. Previa contrato de 35 anos para quem oferecesse a maior outorga inicial, com lance mínimo de R$ 16,5 milhões, mais outorga fixa anual de R$ 250 mil corrigida pelo IPCA 1,2. As propostas foram entregues em 14 de setembro e a disputa de valores ocorreu no dia 18 1,5.
A DMDL venceu com R$ 31,5 milhões 5,7. Segundo a Prefeitura, a licitante remanescente é o Consórcio Floripa Eventos. O número total de participantes e os lances intermediários não constam das fontes consultadas 7. Com a análise documental concluída em 28 de setembro, abriu-se prazo de um dia útil para manifestação de intenção de recurso. Sem recurso, seguem a adjudicação e a homologação; havendo recurso, há três dias úteis para razões e mais três para contrarrazões, antes de parecer jurídico e decisão administrativa 7.
Estágio em 2 de outubro de 2026: vencedora declarada após análise documental, sem homologação nem contrato assinado nas fontes consultadas. A gestão pela nova concessionária está prevista para 1º de janeiro de 2027 7.
O que o contrato exige
Pelo material oficial e pela cobertura do road show realizado na B3 em 12 de agosto, a concessionária deverá ampliar e requalificar o complexo; criar cerca de 1,5 mil metros quadrados de alimentação e bebidas voltados para o mar; estruturar estacionamento com pelo menos 350 vagas; refazer o sistema viário interno e a drenagem, para reduzir alagamentos; construir uma passarela de pedestres até o Centro; e transferir um equipamento da Polícia Civil que hoje ocupa a área 1,3,4. O edital exige ainda garantia de proposta de 1%, garantia de execução de 5% e sociedade de propósito específico com capital mínimo de R$ 7,8 milhões 3. Os investimentos devem ocorrer entre o primeiro e o sexto ano 1. A coluna de Estela Benetti, da NSC, estimou as obras obrigatórias em mais de R$ 50 milhões, cifra que não aparece nos comunicados oficiais consultados 6.
Contexto
O contrato do operador atual vence em 31 de dezembro de 2026, e a Prefeitura contratou a B3 por R$ 187 mil, em junho, para estruturar o processo 8. Em junho, o município previa leilão entre o fim de julho e o início de agosto; a disputa ocorreu em 18 de setembro, ainda dentro do objetivo de iniciar a nova gestão em janeiro de 2027 8,7. O prefeito Topázio Neto (Podemos) acompanhou a sessão e disse que o operador atual encerra um ciclo de mais de 30 anos 5,9.
Análise
O resultado tem méritos mensuráveis. A disputa entre ao menos dois concorrentes quase dobrou a outorga mínima, e o uso da plataforma da B3 dá ao processo regras padronizadas e sessão pública transmitida 4,5. O município transfere a um operador privado a obrigação de investir em ampliação, drenagem e acessos de um equipamento que, sob gestão pública direta, exigiria recursos do orçamento.
As limitações merecem igual atenção. A primeira é a composição do valor. Somadas, a outorga inicial e as 35 parcelas anuais dão R$ 40,25 milhões nominais; o componente recorrente, de R$ 8,75 milhões em 35 anos, é pequeno diante do inicial. A maior parte do benefício financeiro, portanto, entra de uma vez, e o ganho de longo prazo depende de a concessionária cumprir as obras, não do fluxo de outorga.
A segunda é de transparência sobre o investimento. Os comunicados oficiais listam as obras, mas não informam valor total nem cronograma por intervenção; a estimativa de R$ 50 milhões vem de coluna. Sem esse número no material público, a fiscalização do contrato terá de se apoiar no edital e nos anexos, que esta apuração não leu diretamente.
A terceira é de informação sobre a disputa. O número de propostas e o perfil da vencedora, além do nome de sua diretora e dos sócios citados na cerimônia, não estão detalhados nas fontes abertas 5. Isso não indica irregularidade; indica apenas que a avaliação da concorrência ainda é incompleta.
Conclusão
Florianópolis concluiu com ágio expressivo a etapa mais visível da concessão e preservou, até aqui, o calendário de transição para janeiro de 2027. O valor ofertado confirma que o mercado vê retorno no ativo. A qualidade da decisão, porém, só poderá ser julgada pela execução: cumprimento das obras obrigatórias, prazos e fiscalização municipal ao longo de 35 anos, a partir de um contrato que ainda não foi assinado.
O que acompanhar
O fim do prazo recursal e a homologação; a assinatura do contrato e a constituição da sociedade de propósito específico; a publicação do cronograma de investimentos; e a transição da operação, prevista para começar ainda em 2026, com assunção pela nova concessionária em 1º de janeiro de 2027 7.
